Já era um sonho nosso sair de jeep por ai para conhecer outros lugares legais, seja no Brasil ou fora.
Felizmente em outubro compramos a Toy, porém já havíamos planejando a viagem mesmo de carro. Ela veio em excelente hora! Ainda bem!
Lembro que comecei a buscar dicas por aí em abril de 2008 e de lá até a viagem foi uma expectativa impressionante.
Como seria, viajar sozinho (em um carro somente) quase 10.000 km por diversos países? E se o carro quebrar? E se passarmos mal com a altitude!? E se nos perdermos? São tantas coisas que podem dar erradas que, se pensarmos assim não sairíamos de casa.

Enfim, depois de muita informação, seja dos lugares, documentação necessária, do carro, comidas enfim partimos. Uma viagem assim requer atenção a detalhes imperceptíveis.

Esperamos compartilhar com você o que foi passar 21 dias a bordo da Toy, conhecendo gente muito diferente, vivendo um pouco de cada povoado que passamos. É uma experiência muito rica e recomendo a todos.
Não é foi difícil como imaginávamos, muito pelo contrário foi surpreendente roda 8.700km por estes lugares.

Se pudéssemos, voltaríamos nas próximas férias, mas outro roteiro já está sendo planejado.

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Comecei a carregar a Toy no dia pela manhã... não imaginava
que seria tanta coisa assim.
Primeiro dia fomos até Foz do Iguaçú sem parar, a não ser almoçar e abastecer. Em 11 horas chegamos ao hotel.

No dia seguinte encontramos com a Mi(minha prima) e fomos visitar as cataratas e a usina de Itaipu. Uma maravilha feita pelo homem e outra pela natureza

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No final do dia entramos na Argentina e andamos somente uns 150 km. Já era noite e precisávamos encontrar algum lugar pra dormir.
Achamos um hotel bem simples, mas confortável em Puerto Rico e lá descansamos.
Depois o objetivo era chegar até Cafayate, uma cidade de vinícolas situada no norte da Argentina. Até chegar lá demoramos uns 3 dias.
Passamos por Posadas, Corrientes, Amaicha del Valle e por muitos outros povoados pequenos na estrada.
Foi divertido parar num posto de gasolina exatamente no período que a Seleção Argentina perdia para o Urugay(acho) e eu tive que abastecer o carro e entrar para pagar. Além do atendimento... bom, não houve atendimento. Dia de ligar pra casa avisar que estava tudo bem.

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Chegamos em Cafayate pouco depois da hora do almoço e demos um giro por lá. Uma cidade pequena, mas muito legal, com bons restaurantes e umas 20 vinícolas.
O dia seguinte foi somente de visitação a todas que podíamos para degustação e compra de lembranças.
A que mais gostamos foi a “Finca de las nubes” que ainda produz vinho em pouca quantidade e muito artesanalmente, para mim foi inclusive o melhor vinho de lá. Recomendo o Torrontês. É muito bom!
Ficamos por ali uns 2 dias mais. Até conhecemos um brasileiro que mora lá e faz expedições com turistas em sua Hilux nova. Gente boa e nos deu várias dicas até a chegada no Chile..

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A Saida de Cafayate tinha que ser feita cedo para poder chegar em San Antonio de los cobres ainda durante o dia.
São aprox. 450 km que deveriam ser percorridos durante esse dia. Todo em terra, chegando próximo dos 5000 mts de altitude. Posso falar que essa estrada foi a mais bonita que passamos. Andamos muito tempo por um vale, cruzando varias vezes o mesmo rio(ainda bem que tínhamos a Toy) muitas vezes congelado. Na nossa parada em Cachi, metade do caminho, avisaram-nos que não deveríamos demorar para sair e que a estrada era deserta e muito desolada. Recomendou que marcássemos quaisquer pontos, seja ele casa, um abrigo, qualquer coisa para o caso de algum problema. “Lá não tem muito tráfego”, nos disse o sujeito. Realmente nos 200 km faltante cruzamos com uma camionete e um caminhão quebrado. Só.
Chegamos no fim do dia em San Antonio e a 3800 mts dormimos até que bem, num bom hotel que tem por lá.

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Dia seguinte, objetivo: Chile por a fronteira chamada Paso SICO. Uma estrada desolada, desértica e muito fria. Quando passamos pela aduana argentina, antes de chegar ao Chile notei que a linha superior a que estava assinando minha passagem datava de 7 dias atrás. Quer dizer que ninguém passou aqui durante uma semana? Sim respondeu o guarda. Caramba! Bom, vamos nessa! Já estamos aqui mesmo!
Chegamos em San Pedro Atacama no fim do dia. Uma povoado todo com chão de terra, uma estrutura razoável, bons restaurantes, mas nosso Real é bem desvalorizado em relação aos pesos chilenos.
Por ali conhecemos as atrações principais. Valle de la Luna, de la Muerte, Geisers del Tatio, Salar de Atacama... nos disseram que o Chile vende a Bolivia, isto é, os melhores passeios são na Bolivia. Realmente. Ainda bem que ficamos por lá só 3 dias. Partimos logo cedo para Bolivia. No momento de carimbar os passaportes, a aduana pediu o documento de entrada do carro. Não tínhamos! Pensei que no momento que passamos na imigração, lá no meio do nada não fosse nada necessário(na argentina não foi). Bom, estávamos ilegais no Chile. O agente olhou pra minha cara e disse “Bom, boa viagem, mas saibam que estavam ilegais aqui.”
Tchau! Saímos dali imediatamente!

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Entramos na Bolívia. Um pais sem estradas como as que estamos acostumadas, com muita miséria, mas um povo extremamente bacana e uma natureza impressionante que aqui jamais veríamos.
É comum, atravessar o Atacama Boliviano seguindo alguns guias de lá que pegam turistas vindo de San Pedro até o Uyuni. Para nossa segurança, uma vez que lá sim não haveria estrutura alguma(posto de gasolina só em 400km) resolvemos seguir um carro de lá.
Omar era nosso “Guia” gente boníssima! Nos explicava tudo por lá.
Nossa preocupação era onde dormir, pois o refúgio que pesquisamos era somente paredes com um teto e sem banheiro nem nada! Foi uma maravilhosa surpresa encontrar um pouco mais que isso, mas não muito. Tivemos que cobrir a toy com lona a noite, pois o diesel pode ficar pastoso, até congelar devido ao frio. Naquela noite os termômetros indicaram -25º C. é muito frio! Dentro de lá foram 6 cobertas + 2 calças blusas e gorros para passar a noite... não foi fácil, mas sobrevivemos.
No dia seguinte, fomos conhecer a lagoa Colorada. Uma lagoa Vermelha, muito bonita. Em seguida, passamos por outras 4 lagoas, Honda, Hedionda e outras que não lembro o nome.
No final do dia, cruzamos o Salar de Tiguana. Nesse salar num dado momento o guia parou, veio até mim e disse: - quando acender o pisca alerta, acelere o máximo que puder, pois é um atoleiro e não tem fundo. Se ficar ali ficou!.
Ordem dada, ordem executada, o pisca dele acendia entravamos no atoleiro de lama com sal a uns 70km/h e saía de lá nuns 20km/h tamanha extensão e densidade. Guincho ali não adiantaria nada. Onde ancorá-lo? Chegamos são e salvo em San Juan, onde pude comprar diesel de um dono de caminhão que havia ido a cidade abastecê-lo e tinha 40 litros para me vender. Em San Juan não há posto de gasolina e o próximo estaria a Uyuni, 200 km de lá.
Durante a noite ficamos hospedado num hotel feito de sal. Batemos papo com os motoristas de lá e pudemos conhecer um pouco mais da cultura boliviana. Ficamos por lá comendo uns petiscos e bebendo cerveja de Quinua, bebida somente encontrada lá.

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Chegamos no Salar de Uyuni. É algo fantástico, lindo e extremamente branco e plano!
Uyuni é o maior salar do mundo. Possui algo em torno de 8300 km² e fica a 3600 mts de altitude. Objetivo da viagem cumprido! Até agora nenhum problema, o carro respondendo perfeitamente, mesmo na altitude. Hora de voltar pra casa!
Saimos de Uyuni e em 5 dias estávamos novamente em casa.
Na volta passamos por Salta na Argentina, passando pela famosa quebrada de Humauaca e seus morros multicoloridos, muito bonito, mas não á mais nada a ver por ali. A Quebrada(estrada sinuosa) é bonita, mas nada que se compare com as Bolivianas e a próxima de Cafayate, mas são bonitas também. Depois seguimos por um caminho mais rápido, pelo Chaco argentino. Paramos em Foz mais uma vez para umas comprinhas no Paraguay e logo estávamos em casa.

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O carro.

O veículo utilizado foi uma Toyota Bandeirantes ano 1991 equipada com:

- 2 estepes

- 2 tanques extras de combustível

- GPS

- Água reserva(galão de 20lts)

- Guincho Mecânico

- Muitas ferramentas

- Peças reservas(amortecedor, mangueira radiador, mangueira combustível,
lâmpadas de farol e lanterna, abraçadeiras, óleos para todos os componentes,

graxa com aplicador e mais algumas coisas)

- cinta de reboque

- cabo de aço

- farol de milha + suportes extras

- Pá para cavar

- Manilhas extras

- Inversor 12v/110v

- Lonas

- Cintas de amarração extras

- Filtro de ar sobressalente

- Compressor 12v

 

Os ocupantes estavam equipados com:

- Roupa de frio extremo

- muita amendoim Mendorato e queijo Polenghinho e Miojo.

- água em garrafas pequenas

- kit de primeiros socorros

- 2 lanternas

- 3 câmeras fotográficas

- Notebook(para falar com a família, atualizar mapas e baixar fotos)

- Barracas (não utilizadas)

- Sacos de dormir

- Aquecedor de água para fazer chá/café.

- Garrafas térmicas

 

O que faltou:
- tempo para poder aproveitar mais

- espaço para trazer mais vinhos e souvenires