| UMA AVENTURA NO BURACO DO CAMEL |
Inicio este relato pedindo desculpas.
Infelizmente por uma questão de sobrevivência, muitos de vocês não puderam nos acompanhar nesta empreitada no Buraco do Camel. Realmente pude constatar que cinco e número máximo que comporta esta aventura. Nós estávamos em sete!
O que é indispensável no veículo: 1º guincho; 2º pneus MUD, no mínimo; 3º estepe na mesma medida; 4º combustível; 5º demais equipamentos de trilha.
Para os tripulantes: 1º muita paciência; 2º vontade para trabalhar e 3º não ter horário ou dia para voltar...
Nossa aventura começou às três horas da manhã do sábado, quando o despertador me acordou. Como se eu tivesse conseguido dormir!
Às quatro e meia da matina num posto de gasolina na Anhanguera, formava-se o comboio: 1º- Rodrigo e o Léo no Troller; 2º eu o Willian e Martin na Toyota; 3º Otávio e Aguinaldo no Jeep; 4º Paraná e seu filho no outro Jeep; 5º Silvio, o Lucas e Paulinho na Land Rover; 6º Alê, Ricardo e Show na outra Land e 7º Marcel e o amigo dele na outra Toyota.
Muito bem, logo que clareou o dia, estávamos no início da trilha, às margens da Rodovia Régis Bitencurt na cidade de São Lourenço da Serra, S.P. O Marcel assumiu a frente, seguido por mim e o Otávio, os demais vieram na seqüência. Importante frisar, que cada dupla, trabalhava sozinha, independente dos outros, dessa forma o trabalho rendia mais.
Por volta do meio dia, quando já tínhamos percorrido mais ou menos uns três quilômetros, a primeira baixa: o Troller deu pau e parou o motor. Vários mecânicos de plantão, mexem daqui e mexem de lá, o carro liga, mas não tem força, resultado: puxei o Rodrigo por quase metade da trilha. No intervalo, enquanto os mecânicos davam um jeito no jipe, rolava um churrasquinho de gato na chapa a gás do Marcel, estrategicamente montada na tampa traseira de sua Toyota.
Um momento para reflexão: - O que eu to fazendo aqui?!
Puxei o Troller por nove horas seguidas, em dezenas de atoleiros, subidas e erosões, quando por fadiga, meu guincho mecânico estourou, vazou todo o óleo. Aí fud...: sem o guincho e Trolller sem motor, que nhaca! O jeito foi o Marcel, voltar e rebocar o Rodrigo até um lugar plano.
Meia noite, montei a barraca numa clareira e dormi. Cerca de uma hora depois, chegou o Marcel rebocando o Rodrigo no Troller, seguido pelo Otávio e o Paraná. Enquanto isso, lá atrás não sei a onde, já roncavam os caras das Lands. (O Show, coitado, dormiu sentado na cadeira de praia dentro do chiqueirinho da Noventinha).
Outro dia, vida nova, oito e pouco da manhã, já trocados dois estepes na Toyota do Marcel, e colocadas as correntes na Land do Alê, seguimos na Trilha.
- Falta muito, Paraná? Eu perguntava.
- Não, só um pouquinho!
Puxa vida, quem dera!
O ponto máximo, o Buraco do Camel, o trecho que dá o nome a trilha é uma descida de uns quarenta metros em ângulo de 45 graus, dentro de uma vala, onde os facões são os guias da roda e as paredes, os guias da lateral do jipe. Não tem jeito, entrou não tem como parar. Só para comparar, é como descer num toboágua, liso que nem um quiabo, e no final um atoleiro. (Só termina quando acaba!) É o momento sublime da trilha, a apoteose, o momento da oração e agradecimento a Deus pela sobrevivência!
Mais umas quatro horas, e chagamos ao final.
Detalhe: esqueci de mencionar quer o Troller no domingo de manhã pegou e ficou tão bom, que arrastou minha toyota por todo resto da trilha, visto que eu estava com meu guincho quebrado!
No saldo entre o lucro e o prejuízo, garanto que saímos no azul, apesar de: um motor fundido, um guincho estourado, dois cabos-de-aço arrebentados, um teto amassado, duas capotas de lona destruídas, dois pára-choques entortados lanternas quebradas, dois snorkels arrancados, e muitos, muitos arranhões na pintura... em 33 horas de aventura (do início ao fim da trilha).
Agradeço a todos pela trilha, companheirismo e paciência que todos empenharam nessa aventura.
Irivam Pelegrini
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